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LITORAL DE SERGIPE REGISTRA RECORDE DE ENCALHES DE AVES MARINHAS EM MAIS DE 15 ANOS DE MONITORAMENTO

18/05/2026        
LITORAL DE SERGIPE REGISTRA RECORDE DE ENCALHES DE AVES MARINHAS EM MAIS DE 15 ANOS DE MONITORAMENTO

Mais de 770 encalhes de aves marinhas foram registrados no litoral de Sergipe entre janeiro e meados de maio de 2026, o maior número já documentado para esse período em mais de 15 anos de monitoramento sistemático da costa sergipana. O dado é ainda mais expressivo quando comparado ao ano anterior: durante todo o ano de 2025, foram contabilizadas 492 ocorrências.

O levantamento é realizado por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia Sergipe-Alagoas (PMP-SEAL), conduzido pela Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), com equipes técnicas percorrendo diariamente toda a extensão do litoral de Sergipe.

A gravidade do cenário se reflete nos índices de mortalidade: 625 das aves registradas em 2026 foram encontradas sem vida, o que representa mais de 80% do total. Os animais resgatados com vida chegam, em sua maioria, em condições extremamente críticas, com debilidade acentuada e esgotamento severo das reservas energéticas, quadro compatível com o intenso desgaste fisiológico imposto pelas longas rotas migratórias.

De acordo com Elaine Knupp de Brito, Médica Veterinária da Fundação Mamíferos Aquáticos, durante a migração essas aves cruzam extensas áreas oceânicas em busca de condições mais favoráveis de alimentação e clima. Algumas espécies realizam travessias intercontinentais, conectando o litoral brasileiro a regiões do Hemisfério Norte e da Europa, fato evidenciado por registros recentes de indivíduos anilhados na Inglaterra e na Espanha que foram resgatados no litoral sergipano. Quando a oferta de alimento é comprometida ou as condições ambientais se tornam adversas ao longo do trajeto, a capacidade de recuperação das aves se reduz drasticamente, aumentando a probabilidade de encalhes, muitas vezes já em estado irreversível.

E os espécimes mortos são encaminhados a exames necroscópicos, fundamentais para a investigação das causas de morte e o monitoramento da saúde da fauna marinha.


                                                  Ave marinha encalhada na areia em Sergipe. Foto: PMP-SEAL / Acervo FMA.


Alerta sanitário: influenza aviária exige protocolo rigoroso

O contexto atual impõe atenção não apenas ambiental, mas também sanitária. O Brasil enfrenta uma emergência zoossanitária relacionada à influenza aviária, o que exige critérios rigorosos no manejo de aves silvestres. Nesse cenário, a FMA atua como uma barreira sanitária ativa para o estado de Sergipe, no Centro de Reabilitação e Despetrolização da Fauna Silvestre (CRD-FMA), todas as aves vivas recebidas passam por triagem imediata e são submetidas a testagem laboratorial para influenza aviária.

Até a confirmação do resultado, cada ave permanece em isolamento sanitário, sem contato com outros indivíduos em reabilitação. Somente após a exclusão de risco é que seguem para as etapas de recuperação.

“Todos os resgates e atendimentos de animais marinhos são realizados sob protocolos estritos de biossegurança, com uso de equipamentos de proteção individual e procedimentos específicos para minimizar qualquer risco de disseminação de agentes infecciosos”, afirma a médica veterinária.

O que fazer ao encontrar uma ave encalhada

A orientação da Fundação Mamíferos Aquáticos é clara: não toque, não pegue e não tente socorrer o animal. A manipulação inadequada representa risco à saúde humana, especialmente diante do cenário de influenza aviária, e pode agravar o estado clínico da ave, comprometendo seu prognóstico.

Ao identificar uma ocorrência, a conduta correta é:

- Manter distância segura e evitar aglomerações no local;
- Impedir a aproximação de animais domésticos, como cães e gatos;
- Registrar a localização exata e, se possível, fotografar o animal;
- Acionar imediatamente a FMA pelo 0800 728 9001 ou (79) 99130-0016.

O acionamento rápido é determinante para que o atendimento seja feito de forma segura e tecnicamente adequada, aumentando as chances de sobrevivência dos animais resgatados com vida.

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia Sergipe-Alagoas

A realização do PMP-SEAL é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural. O projeto é realizado desde o município de Conde (Bahia) até Piaçabuçu (Alagoas), dividido em três áreas. Sendo a responsabilidade técnica da Mineral Engenharia e execução em Sergipe pela Fundação Mamíferos Aquáticos e Projeto Tamar. Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, o contato pode ser realizado pelo telefone (79) 99130-0016.

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