Estimativas apontam que aproximadamente 25% dos manguezais brasileiros já tenham sido destruídos ao longo dos anos, tendo como principal causa os impactos ambientais provocados pelo homem. Para tentar reverter esta realidade, a Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), com apoio da Alcoa Foundation e em parceria com o Instituto BiomaBrasil, desenvolveu o Projeto Mais Mangue. O objetivo é trabalhar pela conservação dos manguezais, de forma participativa, por meio da Educação, da troca de experiências e do estímulo à conscientização ambiental. O projeto terá como área de atuação o município de Itapissuma, localizado na Área de Preservação Ambiental de Santa Cruz, litoral norte de Pernambuco, e, para tanto, contará com a parceria da Secretaria de Educação da prefeitura da cidade.

Inicialmente, o trabalho consistirá na formação de 60 professores da rede municipal de ensino de Itapissuma, que deverão utilizar os conhecimentos adquiridos nas atividades e oficinas temáticas do projeto (técnicas, conceitos, práticas e exemplos sobre manguezais e zona costeira) no planejamento das aulas junto aos alunos. Os professores se dividirão em duas turmas de 30, com a primeira turma iniciando a sua formação nos dias 24 e 25 de abril e aplicando os conhecimentos durante todo o ano letivo de 2017. A segunda turma será capacitada no mês de dezembro e deverá incluir o aprendizado no planejamento das aulas de 2018.  Os professores receberão o Guia Didático Maravilhosos Manguezais do Brasil – com metodologia aplicada pelo Instituto BiomaBrasil - e o utilizarão como uma ferramenta de suporte às aulas escolares.  O projeto inclui também o apoio a eventos educacionais nas escolas que abordem a conservação do manguezal, a exemplo da Semana do Meio Ambiente e da Feira de Conhecimento Científico, oferecendo a assistência necessária à aplicabilidade dos aprendizados obtidos durante a formação. Com as atividades previstas, espera-se sensibilizar mais de 3 mil estudantes do município.   

O Mais Mangue também promoverá rodas de conversas temáticas entre professores, estudantes, comunidade, pescadores e gestores públicos e ambientais, além de visitas de educação ambiental ao estuário e manguezal da APA de Santa Cruz. “Nós da FMA, que trabalhamos há 27 anos com a missão de promover a conservação dos mamíferos aquáticos e seus habitats, acreditamos que o investimento em Educação é a melhor alternativa para colaborar com a preservação dos animais aquáticos e dos ecossistemas costeiros marinhos, que inclui o manguezal e o estuário, locais muito importantes para alimentação e reprodução de espécies como o peixe-boi-marinho, o mamífero aquático mais ameaçado de extinção no Brasil. Quanto mais conhecimento a sociedade tiver sobre esse tema, devido à importância e relevância desse ecossistema, mais garantia de sobrevida essas espécies terão. E os professores e estudantes são agentes muito importantes nesse processo, bem como a comunidade que vive no entorno”, ressalta Daniela Araújo, Coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental da Fundação Mamíferos Aquáticos.

Considerada área de preservação permanente (pela Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012), o manguezal é definido como um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e marinho, característico de regiões tropicais e subtropicais, sujeito ao regime das marés. Tem fundamental importância na geração e manutenção da vida de milhares de organismos, incluindo representantes da flora e da fauna, sendo sustento também para milhares de famílias que vivem da pesca artesanal.  No Brasil, as suas principais ameaças são os impactos ambientais causados por ações antrópicas, com destaque para a especulação imobiliária, agricultura desordenada, atividades portuárias e a prática da carcinicultura.

Em Pernambuco, essas ameaças variam de acordo com cada região. “No litoral norte, o destaque vai para a carcinicultura e o turismo náutico, além do crescimento desordenado das cidades.  No litoral sul, os manguezais são ameaçados pela pesca predatória e pelo impacto do turismo, somado ao saneamento básico inadequado. Já na região metropolitana, o problema do saneamento básico é o destaque”, explica o biólogo e professor da Universidade de Pernambuco, Clemente Coelho Junior, presidente do Instituto BiomaBrasil, que vai estar ministrando nas escolas de Itapissuma as oficinas do Projeto Mais Mangue com a aplicação do Guia Didático Maravilhosos Manguezais do Brasil. O biólogo também destaca a importância do envolvimento dos professores para a conservação do ecossistema: “A Educação Ambiental é uma das ferramentas para a conservação dos manguezais e com a formação de professores, o efeito multiplicador é enorme, levando em consideração que por cada professor passam em média mais de 40 alunos por ano”.

Segundo mapeamento realizado em 2009 pelo Ministério do Meio Ambiente, os manguezais abrangem cerca de 1.225.444 hectares em quase todo o território brasileiro. Do sudeste maranhense até o Espírito Santo, eles são reduzidos e estão associados a lagunas, baías e estuários. Pernambuco possui cerca de 17.633 hectares de manguezal e se destaca no Brasil por ter o único manguezal de ilha oceânica do atlântico sul (localizado em Fernando de Noronha). De acordo com o CPRH - Agência Estadual de Meio Ambiente, a APA de Santa Cruz – que inclui os municípios de Itamaracá, Itapissuma e parte de Goiana - tem aproximadamente 4.082,02 hectares de manguezal e ecossistemas associados, o que corresponde a 10,55% da APA.

 

Sobre as instituições envolvidas no Projeto Mais Mangue:

 

Fundação Mamíferos Aquáticos – Organização social, sem fins lucrativos, que há 27 anos trabalha com a missão de promover a conservação dos mamíferos aquáticos e seus habitats, visando a sustentabilidade socioambiental. Atua nacionalmente com atividades que envolvem manejo e pesquisa científica, estudando os efeitos antropogênicos nos recursos marinhos, e com parcerias e ações colaborativas que promovem mudanças socioambientais. Neste contexto, também está inserida no apoio à construção e execução de políticas públicas e marcos regulatórios.

Alcoa Foundation - A fundação antecessora da Alcoa Foundation, atualmente conhecida como Legacy Alcoa Foundation (e anteriormente conhecida como Alcoa Foundation), foi fundada em 1952 como uma das poucas fundações corporativas nos Estados Unidos. Como resultado da separação da Alcoa Inc. em Alcoa Corporation e Arconic Inc. em novembro de 2016, foram formadas duas novas fundações, para as quais os ativos da Legacy Alcoa Foundation foram transferidos. Uma das novas fundações, conhecida agora como Alcoa Foundation, é a fundação associada à Alcoa Corporation. Hoje, a Alcoa Foundation investe onde a Alcoa está presente, fornecendo recursos que contribuem para a excelência ambiental em todo o mundo, especialmente nas áreas de conservação da biodiversidade e pesquisa de mudanças climáticas. Para saber mais acesse alcoafoundation.com e siga @AlcoaFoundation no Twitter. As informações deste tópico são de autoria da Alcoa Foundation.

Instituto BiomaBrasil -  Fundado em 2006, tem como missão as capacitações formal e informal sobre conservação da biodiversidade, incluindo gestão de recursos, atividades de pesquisa e aquelas referentes aos programas de extensão destinados aos representantes da sociedade envolvidos com questões ambientais, atendendo as lideranças comunitárias, estudantes universitários, pós-graduandos, técnicos de empresas, agentes de organizações governamentais e não-governamentais.

Secretaria de Educação da Prefeitura de Itapissuma – Tem a missão de contribuir para a constante melhoria das condições educacionais no município, para assegurar uma educação de qualidade num ambiente de responsabilização social e individual. Atende cerca de 3.149 estudantes, da Educação Infantil à Educação de Jovens e Adultos. 

 

Fotos: Clemente Coelho