Pesquisadores recomendam ampliação da Zona de Proteção Estuarina da APA da Barra do Rio Mamanguape em prol da conservação do peixe-boi marinho

 

Nesta terça-feira (26/06), às 9h, os pesquisadores do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho (PVPBM) estarão no Centro de Vivência da Rebio Guaribas – SEMA III, na cidade de Rio Tinto (PB), apresentando uma proposta que solicita a ampliação da Zona de Proteção Estuarina, da Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape, localizada no litoral norte paraibano. O objetivo é assegurar os limites de proteção das principais áreas de uso do peixe-boi marinho, espécie ameaçada de extinção no Brasil, que sempre procura os estuários para viver, se alimentar, reproduzir, descansar, cuidar dos filhotes. Desta forma, a conservação destas áreas está diretamente ligada à conservação da espécie.
 A APA da Barra do Rio Mamanguape foi criada em 1993 para garantir a conservação do habitat do peixe-boi marinho (Trichechus manatus), de expressivos remanescentes de manguezal, Mata Atlântica, dos recursos hídricos ali existentes e, sobretudo, para proteger o peixe-boi marinho e outras espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional. Estes três objetivos de manejo estão diretamente ligados à Zona de Proteção Estuarina (ZPE), que atualmente englobam algumas áreas do rio Mamanguape e Miriri.

Desde 2016, o Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho – realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental – vem monitorando via satélite cinco peixes-bois marinhos reintroduzidos que frequentam o estuário do rio Mamanguape. E, após a análise de informações geradas por este monitoramento, observou-se que os animais monitorados estão utilizando, com frequência significativa, locais situados fora das delimitações previstas na Zona de Proteção Estuarina atual.

A partir destas informações, a equipe do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho elaborou um documento que recomenda a ampliação dos limites da Zona de Proteção Estuarina, tendo em vista as áreas utilizadas pela espécie. Assim, a nova Zona de Proteção Estuarina proposta apresenta um acréscimo de 0.150798 hectare em comparação com a atual. Este novo limite proposto contemplaria os limites da ZPE atual e os rios e camboas que os peixes-bois marinhos vêm utilizando ao longo do período do monitoramento realizado.

“O estuário do rio Mamanguape é um dos principais locais de ocorrência dos peixes-bois marinhos no Brasil. Ao longo deste, existem locais que já identificamos a existência de recursos ecológicos imprescindíveis para a espécie, como bancos de capim-agulha, algas-marinhas, fontes de água doce, entre outros, o que favorece a presença dos animais. A partir desta relação intrínseca estabelecida, faz parte da estratégia de conservação da espécie, assegurar os mecanismos normativos que contribuam para a manutenção da integridade destas áreas.  Acreditamos que a APA da Barra do Rio Mamanguape irá acatar a nossa proposta, já que se trata de um objetivo maior voltado para a conservação tanto dos estuários quanto dos peixe-bois marinhos “, coloca o pesquisador e médico veterinário João Carlos Gomes Borges, coordenador do PVPBM.

O Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho - realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental - é uma estratégia de conservação e pesquisa para evitar a extinção desta espécie no Nordeste do Brasil. Atua nas áreas de pesquisa, tecnologia de monitoramento via satélite, manejo, educação ambiental, desenvolvimento comunitário, fomento ao turismo eco pedagógico e políticas públicas. Informações sobre o peixe-boi marinho, casos de encalhes e dúvidas sobre a espécie, ligue: (83) 99961-1338, (83) 99961-1352 (whatsapp) ou (79) 3025-1427.

Acompanhe também as atividades e ações do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho pelo site www.vivaopeixeboimarinho.org , Instagram (@vivaopeixeboimarinho) e facebook (@vivaopeixeboimarinho).