Nos últimos dois dias, veículos de comunicação do estado de Sergipe registraram uma movimentação após a interpretação incorreta de imagens que retratavam botos-cinza na Praia de Atalaia. Os animais foram confundidos com tubarões e a população manifestou tanto curiosidade quanto preocupação. 
André Moreira, Biólogo da FMA, explica que não existe motivo para alarde e que as pessoas não precisam temer incidentes com tubarões. Ele assegura que os indivíduos das imagens tratam-se de botos-cinza (Sotalia guianensis), que são animais que utilizam estuários sergipanos com frequência, além de serem uma espécie comumente encontrada na costa do nordeste brasileiro, possui o hábito de efetuar saltos expondo sua região dorsal, facilitando sua visualização por parte da população. Segundo André, a espécie, por habitar regiões costeiras e de baixa profundidade, acaba sofrendo mais com as interações humanas. “Frequentemente nossa equipe encontra esses animais encalhados, mortos, vítimas da interação negativa com a pesca”. 
Sobre a preocupação da população com a existência de tubarões, André argumenta que esse grupo de animais ocorre em todo o mundo, e que os únicos riscos de incidentes acontecem, em sua maioria, quando há um desequilíbrio ambiental e/ou interações com o homem. O Biólogo cita a região da grande Recife como exemplo, levando em consideração que, por ser um local altamente impactado, acaba ocorrendo o favorecimento da aproximação dos tubarões nas praias. 
Apesar dos estudos com tubarões não estarem diretamente ligados às nossas ações, a Fundação Mamíferos Aquáticos achou pertinente manifestar-se e ressalta que está sempre disponível para o esclarecimento de dúvidas sobre os mamíferos aquáticos e seus hábitats, priorizando a conservação marinha e a sustentabilidade socioambiental.