Na tarde do dia 05 de fevereiro, durante a realização do monitoramento da praia de Caueira, em Itaporanga D’Ajuda/SE, houve o registro inédito de uma Orca (Orcinus orca). Tratava-se de um filhote, recém-nascido, medindo 174 cm de comprimento e pesando 60,4 Kg, considerado pequeno e de baixo peso para a espécie.
Imediatamente uma equipe composta por dois médicos veterinários, sendo um patologista, um estagiário e duas voluntárias deslocou-se para atender a ocorrência.
Durante a realização do exame necroscópico, foram coletadas amostras biológicas que foram encaminhadas para análises, as quais irão contribuir para elucidar a causa da morte do filhote.
Apesar de se tratar de uma espécie de ampla distribuição geográfica, informações sobre as orcas em águas brasileiras são bastante limitadas e baseiam-se em registros esporádicos de encalhes e avistagens, até o momento não se tinha conhecimento de encalhes no litoral de Sergipe, apesar do monitoramento sistemáticos de praias realizado há mais de sete anos. Adicionado a isto, sabe-se que a espécie encontra-se amplamente distribuída desde os polos as regiões equatoriais, sendo considerada a mais cosmopolita de todos os cetáceos.
As orcas são erroneamente conhecidas pelo nome de baleias, mas na verdade pertencem ao grupo dos golfinhos de grande porte, visto que possuem dentes e não barbatanas como as baleias. As orcas se alimentam de peixes ósseos e cartilaginosos, pequenos cetáceos, cefalópodes e etc. 
O Diretor de Pesquisa e Manejo da Fundação Mamíferos Aquáticos, João Carlos Borges diz que “na região Nordeste do Brasil, poucas informações foram reportadas, de forma que este registro constitui a primeira ocorrência reportada para o litoral de Sergipe, contribuindo assim para o conhecimento da espécie em águas brasileiras, como também ampliando a diversidade de mamíferos aquáticos na Bacia Sergipe-Alagoas”.
Dessa forma, esse fato contribui para minimizar a lacuna de informação sobre a espécie, e evidencia a contribuição das ações de monitoramento de praia para a conservação da biodiversidade marinha.
As atividades de Monitoramento de Praias, desenvolvidas pelo convênio MAR, parceria entre a Fundação Mamíferos Aquáticos e o Instituto de Tecnologia e Pesquisa - ITP, fazem parte do Subprograma Regional de Monitoramento de Encalhes e Anormalidades na Área de Abrangência da Bacia Sergipe-Alagoas – PRMEA, medida de avaliação de impactos ambientais exigidas pelo licenciamento ambiental federal, conduzida pelo IBAMA e de responsabilidade da Petrobras