O litoral brasileiro possui uma extensão aproximada de 8,5 mil quilômetros e percebemos cada vez mais a presença de lixo nos rios e mares.  Este lixo constitui qualquer resíduo sólido descartado, depositado ou abandonado nos ambientes costeiro-marinhos através de inúmeras fontes, sejam elas oriundas do continente ou vindas do mar por meio de navios e plataformas, por exemplo.  

Fundação Mamíferos Aquáticos, ao longo destes 28 anos de atuação em resgate e monitoramento de fauna marinha, pôde constatar a presença de lixo marinho tanto em animais mortos quanto em animais vivos, concluindo que a presença desses materiais no ambiente traz consequências negativas e pode ser uma das causas para a morte de muitos deles. A partir daí, realizamos desde 2014 o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias-DMLRP como forma de sensibilizar a população diante das problemáticas ambientais causadas pelo lixo, contribuindo também para o fortalecimento de estratégias para conservação de animais e ambientes costeiro-marinhos.

Este ano a ação contou com a participação de aproximadamente 390 voluntários de instituições de ensino e pesquisa, grupo de bandeirantes de Aracaju, adolescentes e jovens ligados ao Batalhão de Guardas Escoteiros Ambientais de Coruripe, órgãos municipais de meio ambiente, donos de barracas na faixa de areia, e ainda frequentadores de praia que juntaram-se à nossa equipe e percorreram ao total dez (10) quilômetro da faixa de areia, atuando em cinco localidades nos estados da Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia.

 

 

O lixo recolhido foi classificado de acordo com a metodologia adotada mundialmente pela Ocean Conservancy, com o material a partir do qual foram elaborados: plástico, metal, vidro, papel, tecido, madeira antropogênica, miscelânea (mistura de diversos resíduos), dentre outros. Adicionalmente e, sempre que possível, é realizada a quantificação e a pesagem de todo material. Nas cinco localidades em que a ação foi desenvolvida foram coletados um total de 1.162,079 kg de lixo, incluindo os mais variados itens, como embalagens de alimentos, palitos de pirulito e picolés; copos, pratos e garrafas plásticas; embalagens de metal; isopor, freezer, tela de computador, pontas de cigarro, preservativos; tampas de vários tipos; e outros.

O plástico constituiu o item mais frequente e abundante em relação às demais categorias em todas as localidades. Segundo a literatura especializada, os plásticos constituem entre 60-80% do lixo marinho e atualmente são considerados como um dos cinco principais problemas de poluição marinha, juntamente com hidrocarbonetos de petróleo, água de lastro, eutrofização, dentre outros.

A realização destas atividades só foi possível com o apoio e a mobilização de vários parceiros em todas as localidades, resultando numa ação simbólica e totalmente voluntária que busca, ainda, avaliar a quantidade e a composição dos resíduos encontrados nesses ambientes costeiro-marinhos.